sábado, 8 de junho de 2013

Carta Pe. Beraldo mês de junho de 2013


Carta MCC Brasil – Junho 2013 (166ª.)
“Depois de tudo isso,
derramarei o meu espírito sobre todos os viventes.
E, então, todos os filhos e filhas falarão como profetas...!” (Joel 3, 1ab).
“Vós todos podeis profetizar...” (I Cor 14,31).

Amados irmãos e irmãs, chamados que fomos para sermos e atuarmos como profetas nestes novos tempos de Igreja, a paz e o amor de Jesus estejam com todos vocês!

Para esta nossa Carta de junho, duas propostas nasceram na minha mente e amadureceram longamente no meu coração. A primeira é uma reflexão sobre a profecia na vida dos seguidores de Jesus, motivada pela celebração, neste mês, de três grandes profetas: João Batista, cujo nascimento se comemora no dia 24 e os Apóstolos Pedro e Paulo no dia 30. A segunda – como não poderia deixar de ser -, é uma constatação motivada pelas atuais providenciais circunstâncias históricas, uma nova primavera que vive a nossa Igreja Católica.

1. Profecia e Profeta: anúncio, denúncia e os profetas de ontem e de hoje. Não é muito clara a origem do termo “profecia”. Em todo o caso, sua conotação é a de “oráculo”, anúncio ou, também, de advertência ou denúncia. O profeta usa ora palavras de carinho e ternura, de promessas e de acolhida para os que observam os mandamentos e normas divinas e andam pelos bons caminhos, ora emprega palavras duras de ameaças e castigos terríveis para os que enveredam pelos desvios e descaminhos contrários aos projetos divinos. Quanto à história da nossa salvação, é bastante percorrer alguns dos 18 livros proféticos do Antigo Testamento para que nos demos conta desse processo, digamos, pedagógico-educativo do povo eleito. O profeta, aquele que vive intimidade com Deus, é o encarregado por Ele para anunciar ao povo, ou o perdão e o abraço divinos, ou os castigos merecidos pelos que se afastam das leis do Senhor. Isto está em conformidade com o que se lê no Profeta Joel, citado acima. Por isso, é provável que o nome “profeta”, como é empregado na Bíblia, signifique aquele que fala como acreditado mensageiro do Altíssimo. Deve-se observar que nos termos “profecia” ou “profeta” não há nada que implique previsão de acontecimentos. Pode um profeta predizer, ou não, o futuro segundo a mensagem que Deus lhe der.
Mas poderia alguém perguntar – porque esta introdução? Justamente para lembrar o último dos profetas do AT, João Batista e os dois primeiros, Pedro e Paulo, sem falar no profeta dos profetas, Jesus. E, é claro, para voltar a chamar nossa atenção de discípulos missionários, profetas que deveríamos ser de nossos tempos.
a) João Batista, o último dos profetas do AT. “Em verdade, eu vos digo, entre todos os nascidos de mulher não surgiu quem fosse maior que João Batista” (Mt 11,11). João foi o profeta corajoso, destemido que, de peito aberto, usa palavras duras de denúncia e de ameaças de castigos às “víboras” – fariseus e saduceus: “Víboras que sois, quem vos ensinou a fugir da ira que está para chegar? Produzi fruto que mostre vossa conversão” ... O machado já está posto à raiz das árvores. Toda árvore que não der bom fruto será cortada e jogada ao fogo” (Mt 3, 7b; 8;10). Mas foi, sobretudo, o profeta do anúncio da conversão, da preparação, da chegada e da presença de Jesus: “Convertei-vos, pois o Reino de Céus está próximo. “É dele que falou o profeta Isaías: ‘Voz do que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor, endireitai as veredas para ele’” (cf. Mt 3, 1-17). E vem agora o principal na vida de João Batista: ao avistar Jesus, num alegre e indizível ímpeto profético, manifestando a razão de ser de sua missão, exclama: “Eis o Cordeiro de Deus, aquele que tira o pecado do mundo. É dele que eu falei: ‘Depois de min vem um homem que passou à minha frente, porque antes de mim ele já existia’” (Jo 1,29-30). 
Para sua reflexão: a você, batizado, seguidor de Jesus, membro de comunidades e de movimentos eclesiais (do Movimento de Cursilhos, por exemplo), pergunto: até onde vai sua consciência de ser profeta de Jesus? Mais: até onde chega sua coragem para – como João Batista – denunciar a hipocrisia, o erro, a maldade e, sobretudo, anunciar que o “Reino já está no meio de nós?”, isto é, anunciar que Jesus está vivo e presente na nossa cultura, na nossa sociedade que anda tão distante Dele?
b) Os santos Apóstolos Pedro e Paulo, primeiros profetas do NT.  Primícias da Igreja pensada pelo Mestre e iniciada com a primeira comunidade de homens e mulheres reunida ao seu redor, são eles também os primeiros profetas do NT. Firmados, agora, no fato da ressurreição de Jesus, assumem,  corajosos, a missão de sair pelo mundo anunciando a Boa Nova: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai a Boa Nova a toda criatura” (Mt 16,15). Eis que Pedro, inflamado pelo Espírito Santo, superando o medo (cf.Jo 20,19) e enfrentando “partas, medos e elamitas, habitantes da Mesopotâmia, da Judéia e da Capadócia, do Ponto e da Ásia... (cf At 2,9-11), ao mesmo tempo que anuncia a pessoa de Jesus, denuncia aqueles que mataram o mesmo Jesus: “Deus, em seu desígnio e previsão, determinou que Jesus fosse entregue pelas  mãos dos ímpios, e vós o matastes, pregando-o numa cruz” (At 2,23). E o que dizer do espírito profético do convertido, o judeu Saulo, depois Paulo? Em inúmeras ocasiões, em incontáveis escritos e conteúdos de suas cartas, deixa muito claras as corajosas denúncias contra o mau procedimento de muitos que, pelo seu próprio ministério, haviam abraçado a fé cristã.
Para sua reflexão: vivemos uma realidade que a todos nós, na maioria das vezes, nos impede de sermos os profetas que deveríamos ser e que, se na vida de quase todos os profetas e nos primórdios da Igreja era comum, nos dias de hoje, na atual cultura do relativismo e da pressão social alimenta, até, uma certa vergonha nos cristãos. Trata-se do medo. Medo de anunciar; mais, medo de denunciar; medo de atitudes e gestos proféticos.... enfim, medo de se agir como discípulo missionário de Jesus! Você também anda pressionado por este medo? Esqueceu-se, meu caro profeta, minha querida profetiza, que foi Ele que disse: “Não tenham medo?” E, então?

2. Uma “nova primavera na Igreja Católica”. Somos cristãos católicos privilegiados. Tenho certeza de que todos temos consciência de estar vivendo novos tempos, novos desafios e novas perspectivas para a Igreja Católica. Fala-se, até, numa nova primavera da Igreja. Como já o fiz na Carta do mês passado, refiro-me, à eleição do Bispo de Roma (“o primeiro entre iguais”), Francisco. Seus gestos, seus testemunhos pessoais estão a nos indicar claramente uma nova postura para todos os católicos, para toda a Igreja. Não basta dizer que a Cúria romana deverá ser reformada ou que este é o Papa de que precisamos, etc. É urgentemente necessário que seu exemplo e testemunho atinjam a mentalidade e a vida de toda a hierarquia da Igreja, bispos e sacerdotes, religiosos e religiosas  e de todos os católicos. Do contrário, os exemplos de Francisco, cairão no vazio e, como diz no título de um maravilhoso e profético artigo, um dos mais conhecidos teólogos contemporâneos, Hans Küng, companheiro que foi de magistério do emérito Papa Bento XVI: Não deixem a Primavera virar Inverno”. Primavera na Igreja é superar uma “Pastoral de mera conservação e sair para uma pastoral decididamente missionária” (Cf Doc.370). SAIR é um dos verbos mais usado pelo Papa Francisco. Igreja, comunidades, movimentos eclesiais devemos todos SAIR... Por oportuno, aplicando-a, sobretudo, ao Movimento de Cursilhos, permitam-me repetir uma comparação feita por Francisco ao afirmar que a Igreja deve sair para a missão: Diante desta alternativa, quero dizer-lhes fracamente que prefiro mil vezes uma Igreja acidentada do que uma Igreja doente. A doença típica da Igreja fechada é a auto-referência; contemplar-se a si mesma, estar curvada sobre si mesma como aquela mulher do Evangelho”.

Que a intercessão de São João Batista e dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo juntamente com a de Maria, possa fazer com que criemos uma mentalidade cada vez mais profética e missionaria, uma mentalidade de autênticos discípulos missionários de Jesus, são os votos mais fraternos de
                                                                                                     
Pe.José Gilberto BERALDO

Carta Pe. Beraldo mês demaio de 2013

Carta MCC Brasil – Maio 2013 (165ª.)

“Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, os discípulos estavam reunidos...
Jesus entrou e pôs-se no meio deles. Disse: A paz esteja convosco”...
Jesus disse de novo: “A paz esteja convosco. Como o Pai me enviou também eu vos envio”.
Então, soprou sobre eles e falou: “Recebei o Espírito Santo.
A quem perdoardes os pecados, serão perdoados; a quem os retiverdes, lhes serão retidos” (Jo 20, 19ª. 21-22).

Muito amados irmãos e irmãs enviados para a missão de anunciar a Boa Notícia do Reino,

Encerrado o tempo litúrgico da Páscoa, isto é, da Ressurreição de Jesus, continua o tempo de celebração da Vida -  da alegria, da vida nova, da esperança da libertação da culpa, da mancha da desobediência – que passa pela Ascensão do Senhor à direita do Pai e se confirma pela irrupção do Espírito Santo sobre os Apóstolos. É a grande celebração do próximo dia 19 de maio, que marca o início do “tempo de Igreja”, prolongado pelo envio da comunidade à missão, ao anúncio da Boa Notícia (cf. Catecismo da Igreja Católica – CIC- n.696,731,1287,2623).    

1. O Espírito Santo habita em cada um dos seguidores de Jesus. Desde o momento do nosso batismo, confirmado pelo sacramento da Crisma, tornamo-nos templos vivos do Espírito Santo, morada da Santíssima Trindade. É da boca de Jesus que saíram estas confortadoras palavras: “Se alguém me ama, guardará a minha palavra; meu Pai o amará, e nós viremos e faremos dele a nossa morada” (Jo 14, 23). E o mesmo Jesus garante: “Mas o Defensor, o Espírito Santo que o Pai enviará em meu nome, ele vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que vos tenho dito” (Jo 14, 26).  E São Paulo completa: “Acaso não sabeis que sois templo de Deus e que o Espirito de Deus habita em vós?” (1Cor 3,16). E acrescenta, ainda: “Acaso ignorais que vosso corpo é templo do Espírito Santo que mora em vós e que recebestetas Deus? Ignorais que não pertenceis a vós mesmos? (1Cor 6,19). Pois bem: a cada ano, na celebração de Pentecostes, somos convidados  a relembrar essa sublime dignidade da qual somos depositários e, ao mesmo tempo, rever se o templo que somos do Espírito Santo, se mantém limpo e habitável por Ele. Pois este mesmo templo é passível de destruição, conforme a advertência de São Paulo: “Se alguém destruir o tempo de Deus, Deus o destruirá, pois o templo de Deus é santo, e esse templo sois vós” (1Cor 3,17). Diante dessa possibilidade, algum de nós poderá perguntar-se: “Mas como? Alguém terá a coragem de destruir o templo do Espírito Santo?  Respondo: poderá ser que o faça - não de uma vez ou de um golpe como essas escavadeiras gigantes que, num instante, botam tudo abaixo... mas aos poucos, pedra por pedra, parede por parede: uma pequena infidelidade aqui outra ali, uma manchinha imperceptivelmente repetida... O resultado é que, de repente, acaba o templo por tornar-se um casarão em ruinas, mal assombrado e inabitável!

2. O Espírito Santo vive na Igreja e a impele para a missão. Como nos deveríamos sentir privilegiados por viver num momento tão importante e decisivo para a Igreja Católica! Pois é neste tempo de desafios para a nossa fé que o Espírito nos envia um Pastor, digamos, sob medida, para guiar o rebanho do Senhor.  Sem ousar qualquer outro comentário e solicitando de cada um de vocês uma demorada e profunda reflexão, aplicando-a à realidade da diocese, paróquia ou comunidade onde você vive ou na do seu Movimento, deixo-lhes, meus caros leitores e leitoras, a palavra do Papa Francisco, no passado dia 16 de abril, durante a missa celebrada na Capela da Casa Santa Marta,  onde agora ele mora.  Na homilia, ao comentar a primeira leitura do dia, celebrando o martírio de Santo Estevão que, antes de ser apedrejado, anunciou a Ressurreição de Cristo, o Papa advertiu para a resistência ao Espírito Santo e repetiu que mesmo em meio de nós, ainda existe essa resistência. E vejam como é clara essa advertência: Ao que parece, hoje o Espírito Santo nos incomoda, porque nos incentiva, empurra a Igreja para que vá adiante. E nós queremos que ele adormeça, queremos domesticá-lo, e isto não é bom porque Ele é Deus e é a força que nos consola, a força para prosseguirmos. Mas seguir avante dificulta... a comodidade é melhor!”. E, depois, prossegue:Hoje aparentemente estamos todos contentes com a presença do Espírito Santo, mas não é assim. Por exemplo, vamos pensar no Concílio: O Concílio foi uma linda obra do Espírito Santo. Pensamos em Papa João XXIII: um pároco bom, obediente ao Espírito Santo. Mas depois de 50 anos, fizemos tudo o que o Espírito Santo nos disse no Concílio? Não. Comemoramos este aniversário, erguemos um monumento, mas desde que não incomode. Nós não queremos mudar, e o pior: alguns querem voltar atrás. Isto é ser teimoso, significa querer domesticar o Espírito Santo; ser tolo, de coração lento”. Ressaltando que o mesmo acontece em nossas vidas, o Papa Francisco exortou: “Não oponhamos resistência ao Espírito. É Ele que nos liberta. Caminhemos na estrada da docilidade do Espírito Santo, no caminho da santidade da Igreja! Não colocar resistência ao Espírito Santo: é esta a graça que eu gostaria que todos nós pedíssemos ao Senhor, a docilidade ao Espírito Santo, a esse Espírito que vem até nós e nos faz seguir pela estrada da santidade”.

Permitam-me acrescentar, entre outras, mais algumas palavras orientadoras do Papa Francisco em carta dirigida aos Bispos participantes da 105ª. Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Argentina, mas que devem ser assumidas pela hierarquia de toda a Igreja e por todos os católicos: “Queridos irmãos:... expresso-lhes um desejo: gostaria que os trabalhos da Assembleia tenham como referência o Documento de Aparecida e “Navega mar adentro”[1]. Estão alí as orientações que necessitamos para este momento da história. Sobretudo, peço-lhes que tenham uma particular preocupação quanto ao crescimento na missão continental nos seus dois aspectos: missão programática e missão paradigmática. Que toda a pastoral seja em chave missionária. Uma Igreja que não sai (em missão) imediatamente, adoece na atmosfera viciada do fechamento sobre si mesma.  É verdade, também, que a uma Igreja que sai, pode acontecer o que acontece a qualquer pessoa: sofrer um acidente. Diante desta alternativa, quero dizer-lhes fracamente que prefiro mil vezes uma Igreja acidentada do que uma Igreja doente. A doença típica da Igreja fechada é a auto-referência; contemplar-se a si mesma, estar curvada sobre si mesma como aquela mulher do Evangelho. É uma espécie da narcisismo que nos leva à “mundanidade” espiritual e ao clericalismo sofisticado e, assim, nos impede de experimentar “a doce e confortadora alegria de evangelizar”. A todos lhes desejo esta alegria que, tantas vezes vem unida à Cruz, mas que nos salva do ressentimento, da tristeza e do “solteirismo” clerical”.

Meus caros, deixo-os com uma pergunta-desafio: poderá, por acaso, haver maior e mais fascinante palavras de estímulo, sobretudo vendo de quem vem, não só para nossa reflexão, mas, sobretudo, para mudança de nossa mentalidade e nosso comportamento de seguidores de Jesus, bem como para a conversão pastoral de toda a Igreja? (cf. Documento Aparecida 365-372).

Ao deixar-lhes a todos meu carinhoso abraço fraterno desejo lembrar-lhes que no dia da primeira vinda do Espírito Santo “todos eles perseveram na oração com um, junto com algumas mulheres” e, “entre elas, Maria Mãe de Jesus” (At 1,14). Pois, então, que Maria continue em cada um de nós, no nosso meio e no meio de nossa comunidade – dirijo-me especialmente ao nosso Movimento de Cursilhos -  ajudando-nos a nos preservar como “templos do Espírito Santo” e, dessa forma, nos manifestarmos ao mundo como autênticos missionários!


Pe. José Gilberto BERALDO
E-mail: jberaldo79@gmail.com

Carta Pe. Beraldo mês de Abril de 2013

ARTA MCC BRASIL - ABR 2013 (164ª.)
“Acaso ignorais  que um pouco de fermento leveda a massa toda?
 Lançai fora o velho fermento, para que sejais uma massa nova,
 já que deveis ser sem fermento.
Pois o nosso Cordeiro pascal, Cristo, já está imolado.
Assim, celebremos a festa, não com fermento velho,
 nem com fermento de maldade ou de perversidade,
mas com os pães ázimos da pureza e da verdade” (1Cor 5,6b-8).

Meus amados irmãos e irmãs, “ressuscitados com Cristo”,  à espera de aparecer com Ele, revestidos de glória” (cf.Cl 3,1-4), estejam com vocês a paz e a alegria pascais:

Celebrada com intenso júbilo no último domingo de março, a Páscoa da Ressurreição do Senhor, eis que iniciamos, Povo de Deus da Nova Aliança, um tempo novo; um tempo de “pureza e de verdade”; um tempo de uma “massa nova”, enfim, um tempo de libertação : “Portanto, se alguém está em Cristo, é criatura nova. O que era antigo passou, agora todo é novo” (2Cor 5,17).
Páscoa, festa do povo da Antiga Aliança, eleito do Senhor: “começo dos meses, o primeiro mês do ano”; festa dos “pães sem fermento”; festa do “cordeiro sem mancha”; passagem do Exterminador ferindo os egípcios dominadores; transposição do Mar Vermelho a pé enxuto, passando da terra da escravidão para a terra onde “corria leite e mel” (cf. Ex 3,8; cap. 11-12). Essa foi a primeira Páscoa, prenúncio da Páscoa Nova, vivida por Cristo, imolado por amor e ressuscitado para a Vida. Definitivamente, este sim, é a nossa Páscoa, a nossa libertação, a nossa alegria e a nossa esperança. Libertação, alegria e esperança para cada um dos seguidores de Jesus e, divinamente providencial, para toda a Igreja, Povo da Nova Aliança com a eleição do Papa Francisco.

1. Páscoa – vida nova - para os seguidores do Ressuscitado. Já não se trata de limites da idade ou de tempo de vida ou de horizontes históricos de uma peregrinação terrena destinada a encerrar-se num dia qualquer. Trata-se de substituir o “fermento velho”, isto é, as motivações que determinam nossas atitudes e nossos comportamentos por outras nascidas e alimentadas pelos critérios e valores do Reino de Deus proclamados e testemunhados por Jesus e expressos no Evangelho. Na citada Carta aos Coríntios São Paulo alude ao “fermento de maldade ou de perversidade”. Cada um de nós, conscientes da nossa vocação de seguidores de Jesus, saberá discernir, à luz de Cristo Ressuscitado, onde estão nossas maldades e malicias!
Com certeza, meus caríssimos, celebrar a Páscoa é lançar fora a “mesmice”, a rotina, a instalação nos comodismos e partir para a vivência da autêntica VIDA NOVA, retomando a caminhada com Jesus e com os homens e mulheres que nos rodeiam e com quem convivemos, retomando com um  novo viço, uma nova determinação nossa vocação missionária, agora e outra vez, ressuscitados com Cristo para a alegria e a esperança de “um novo céu e uma nova terra”... pois, “Ele enxugará toda lágrima dos nossos olhos, onde a morte não existirá mais, e não haverá mais luto, nem, grito, nem dor, porque as coisas anteriores passaram” (cf. Ap 21,1.4).

2. Páscoa – vida nova - para toda a Igreja, Povo de Deus. Num momento de profunda ação de graças a Deus, permitam-me transcrever um pequeno trecho da Carta anterior – a de março  – quando propus breve reflexão sobre a, então, próxima eleição de um novo Pastor para a Igreja Católica: “...quero viver este momento singular na história eclesial como aquele momento “Kairós”, o momento oportuno para a ação do Espírito Santo: “É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (2Cor 6,1-2). “Salvação” no seu sentido de intervenção do mesmo Espírito na vida da Igreja. Santa e providencial coincidência, pois este momento do ano de 2013 será o coroamento da caminhada quaresmal da Igreja-Povo de Deus com a celebração pascal da escolha de um novo Papa por elementos humanos e do envio ao seu povo de um novo Pastor pelo Pastor dos pastores, Jesus de Nazaré!”

E ai está o nosso novo Papa Francisco dando já suficientes sinais em sua pessoa, daquilo que deverá a ser a Igreja Católica sob o seu pastoreio: humilde, sensível, simples, despojada, dinâmica, missionária, solidária... Menos hierárquica e mais fraterna à imitação do Senhor Jesus; menos papa-móvel blindado e mais jipe aberto para descer do pedestal, para poder abraçar, acariciar, condoer-se, para  praticar o conselho de Paulo Apóstolo: “Alegrai-vos com os que se alegram, chorai com os que choram. Mantende um bom entendimento uns com os outros; não sejais pretenciosos, mas acomodai-vos às coisas humildes. Não vos considereis sábios aos próprios olhos”  (Rm 13,15-16).  Será essa a verdadeira imagem da Igreja com que sonhamos? Mas, se o Papa Francisco, com seu testemunho, assim projeta a Igreja, não nos esqueçamos que ela depende, também, da mudança de nossa mentalidade – “pão ázimo de pureza e de verdade” -, de nossa comprometida participação e viva colaboração.   

Certamente, as palavras dirigidas pelo Papa Francisco aos jovens durante a celebração do Domingo de Ramos, também mostram  outro traço característico de sua personalidade e de sua maneira de ser: a alegria. Ao convocar os jovens para a Jornada Mundial da Juventude ( Julho de 2013, no Rio de Janeiro)  assim ele se expressou: “Abraçada com amor, a cruz de Cristo não leva à tristeza, mas à alegria”. Vós tendes uma parte importante na festa da fé!”  Vós nos  trazeis  a alegria da fé e nos dizeis que devemos viver a fé com um coração jovem, sempre, mesmo aos 70, 80 anos!  Com Cristo, o coração nunca envelhece!”
Uma vez mais o Espírito Santo está gritando ao Povo de Deus: “Eu vos darei pastores segundo o meu coração, os quais vos apascentarão com inteligência e sabedoria” (Jr 3,15). Traduzida na linguagem da fé, a eleição do Papa Francisco vem  nos ensinar, mais uma vez, que o Espírito de Deus, não estava na mercantilista Bolsa de Apostas de Londres – onde sequer aparecia o nome de um tal Cardeal Bergoglio! - e nem muito menos nas especulações ou nas férteis imaginações de “especialistas em Vaticano” e, sim, estava iluminando os responsáveis para dar à Igreja de hoje e de amanhã um Pastor que irá apascentá-la na simplicidade e na humildade de um novo Francisco!  Estejamos entre aqueles a quem o Mestre chamou de bem-aventurados ‘que creram sem ter visto’ (cf. Jo 20,29). Continuemos a aprofundar a “fé, fundamento daquilo que se espera e demonstração das coisas que não se veem” (cf. Hbreus 11,1). Pois mais do que nunca podemos ter a certeza de que “o pobre, porém, não ficará no eterno esquecimento; nem a esperança dos aflitos será frustrada para sempre” (Salmo 9,19).

Meus caríssimos leitores, irmãos e irmãs no Senhor Ressuscitado: comungando como nosso Pastor Francisco, vivamos intensamente esta nova Páscoa! Uma Páscoa de renovação, de verdadeira ”passagem” do antigo para o novo; uma Páscoa de um novo tempo de Igreja, Corpo de Cristo, dinâmica e missionaria!

Meu abraço fraterno e amigo,
                                                                                       
Pe. José Gilberto BERALDO

Não seja escravo de si mesmo

Não seja escravo de si mesmo

Figura1A grande libertação que podemos experimentar é a da escravidão que nós mesmos nos impomos. Somos escravos de nós mesmos e dos nossos pecados.
O nosso ego está sentado no trono do nosso coração e não quer sair daí por nada, nem para dar o lugar a Deus, que é o único que tem o direito de ocupá-lo. E esse tirano que está sentado neste trono é exigente, vaidoso, soberbo e manhoso; e nos faz sofrer.
Por que temos angústia e depressão? Por que temos medo? Porque temos receio de que o nosso “eu” seja atingido, contrariado, ameaçado, ferido, e de alguma maneira sofra. Então, ficamos protegendo-o o tempo todo, com medo de que seja atingido.
São precisos muitas vezes “fracassos e decepções” para que cada um de nós aprenda que o único caminho para ser feliz de verdade, que é a “morte de si mesmo”, a morte do amor próprio exagerado, a morte do nosso egoísmo e egocentrismo.
Não foi à toa que Jesus disse: “quem quiser ser meu discípulo renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Lc 9,23). Quando eu não me importar demais com minha reputação, meu amor próprio, então, as calúnias, as fofocas e as críticas contra mim não me farão mais mal; e eu serei feliz apesar delas.
Quando eu não amar mais as riquezas, elas não me farão mais falta e eu não ficarei correndo e sofrendo por causa delas.
Quando eu aceitar não mais estar no centro do universo, não vou ficar mais triste se me marginalizarem ou me colocarem em segundo lugar. E serei feliz assim mesmo. Se eu não mais desejar o primeiro lugar, não mais sofrerei quando o perder.
Quando eu aprender a viver somente com o necessário, não mais sofrerei porque não possuo aquilo que é supérfluo. Muitos dos nossos sofrimentos provém do nosso egoísmo, que escraviza a nós mesmos. O egoísmo engendra a morte dentro de nós, a caridade gera a vida. É claro que é necessário proteger a nós mesmos contra os perigos, as doenças, as dificuldades da vida, etc. Nada contra a sermos previdentes. O que não podemos é ficar “paparicando” a nós mesmos como se fossemos um reizinho que não pode sofrer, ou para quem nada pode dar errado nunca. Todo mundo sofre, todos têm problemas, todos perdem entes queridos, então, por que eu não posso passar por isso? Não sou melhor do que os outros.
É o pecado original que expulsou Deus do trono do coração do homem e aí fez sentar o nosso ego. Este passou a comandar a nossa vida ao invés de Deus, e tudo começou a complicar para o homem e para a humanidade.
A ordem de Jesus de “renunciar a si mesmo” pode parecer a princípio um contrassenso, mas é exatamente o que precisamos, é uma grande sabedoria. “Renunciar a si mesmo”, não quer dizer se desvalorizar ou jogar a vida fora, ao contrário, é deixar Deus ser o guia da sua vida, e não você. É desocupar o trono de onde partem as ordens para a sua vida, e deixar Deus sentar na cadeira de comando. Ora, afinal, quem é mais capaz, você ou Deus, para dirigir a sua vida? Se é Ele, por que então resistir? Quando Jesus diz: “… e siga-me”, Ele está mandando que você obedeça as suas leis, a Sua vontade, a doutrina que a Igreja ensina, e não, viver segundo a “sua” moral e a “sua” lei. Não queira você fazer as leis; obedeça as que Deus fez.
Todo o trabalho de Deus sobre nós, que chamamos de conversão, consiste simplesmente em dar o lugar a Deus no trono do nosso coração. E isto é difícil porque o ego apegou-se a este lugar, pelo pecado, com raízes profundas.
As ações de Deus sobre nós são no sentido de reverter o veneno do pecado original, para convencer o ego a deixar o lugar de Deus e passar a servi-lo, e não de ser servido.
A maneira mais fácil é que nós mesmos façamos esta “cirurgia” com a graça de Deus e a ação do Espírito Santo. Precisamos querer e aceitar deixar o trono que é de Deus para que Ele nos conduza com sabedoria e nos dirija com o seu poder onipotente.
“Senhor eu quero agora mesmo deixar este lugar que eu usurpei e que é Seu. Peço perdão Senhor por tanto tempo ter agido assim e não tê-lo deixado guiar a minha vida.
Mas agora, com todo o meu querer, livremente, amorosamente, Senhor, com gosto, eu dou ao Senhor o trono do meu coração, e quero ficar aos Seus pés, como um servo fiel, atento para ouvir as Suas menores ordens, e executá-las com grande amor. Divino Espírito Santo, sela em meu coração esta decisão para que nunca mais eu volte atrás nela. Amém”.
Quando você viaja de avião, e acontece uma turbulência, você não corre para a cabina do piloto para ajudá-lo ou dar-lhe ordens, porque você não entende nada de navegação aérea e de pilotagem. Apenas você fica quieto na cadeira, com o cinto de segurança atado, até que a turbulência passe, deixando o avião nas mãos do Comandante. Na sua vida deve ser assim também.
Deixe o “Piloto” comandar o voo da sua vida. Ele conhece o “avião”, ele sabe de pilotagem e a turbulência está em Suas mãos. Quando Deus permite que a gente passe por alguma turbulência, Ele está “fazendo uma obra em nós”. Esta obra é para a retirada de nós mesmos do centro de nossa vida; por isso não se assuste. Entregue o comando da vida ao Piloto.
A melhor de todas as penitências que podemos fazer nesta vida é aceitar os sofrimentos que Deus permite que cheguem a nós. É claro que isto é difícil. Os sofrimentos de cada dia de sua vida, todos eles, Deus usa para tirar o seu “eu” do centro da sua vida, para que Ele possa reinar em você. Este é um longo, lento e amoroso trabalho que Deus faz em nós.
Ele sabe o que está fazendo em você, mesmo que lhe pareça tudo muito estranho ou errado. Que sentido pode ter eu perder o emprego, ou tomar um grande prejuízo financeiro, ou perder a esposa?
Eu não sei responder a você, e ninguém sabe, mas Deus sabe que atrás disso há um desígnio de conversão para você. Ter fé é exatamente acreditar no que São Paulo disse: “Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rom 8,28). A lógica de tudo isto, é então, dar glória a Deus no meio deste fogo que me queima mas me purifica. E quando você é capaz de louvar a Deus nesta hora, então, está deixando o trono do seu ser para que Deus sente aí e comande a sua vida. “Aceita tudo o que te acontecer” (Eclo 2,4) diz o livro do Eclesiástico.Quando você aceita que Deus comande a sua vida então, você aceita tudo o que lhe acontece hoje ou possa acontecer amanhã. Tudo está nas Suas mãos. Se você está aflito, angustiado, em pânico, é porque você está preocupado com você mesmo e não está aceitando o que Deus está fazendo com você agora. É duro dizer isto, mas é a realidade; ficamos como que brigando com Deus.
Diga: “Senhor, seja feita a Sua vossa vontade assim na terra como no céu!” quantas vezes for preciso, até que você aprenda a aceitar a vontade de Deus pelo que estiver passando. O medo surge exatamente porque você se sente impotente diante do problema que está a sua frente; humanamente você se vê num beco sem saída e fica em pânico.
Só tem uma saída, aceite tudo o que possa te acontecer, e que você não pode mudar, agora ou depois, e deixe os resultados nas mãos de Deus”.
Prof. Felipe Aquino

sexta-feira, 5 de abril de 2013

Terço da Divina Misericórdia cantado (com legenda).


Confira as intenções de oração do Papa para o mês de abril

Neste mês de abril, o Papa Francisco pede, como intenção geral, orações 'para que a celebração pública e orante da fé seja fonte de vida para os fiéis'. 

E como intenção missionária, o Pontífice roga 'para que as igrejas particulares nos territórios de missão sejam sinal e instrumento de esperança e ressurreição'. 

Todos os anos, as intenções de oração do Papa para cada mês são confiadas ao Apostolado de Oração, e a iniciativa é seguida pelos fiéis em todo o mundo.

05/04/13 - Canção Nova

Que o ódio e a mentira dêem lugar ao amor e à verdade, diz Papa

02/04/13 - Canção Nova
Papa Francisco saudou nesta segunda-feira, 1º, dezenas de milhares de pessoas que encheram a Praça São Pedro para rezar com ele a oração mariana do Regina Coeli, característica do tempo pascal. Do balcão, Francisco cumprimentou a multidão dizendo ‘Bom dia e Boa Páscoa!’, agradeceu a todos pela presença e fez votos que a força da Ressurreição de Cristo chegue a todas as pessoas, especialmente as que sofrem, e a todas as situações mais carentes de confiança e esperança.

“Cristo venceu o mal plena e definitivamente, mas é dever de nós, homens, acolher esta vitória em nossas vidas e realidades da história e da sociedade”. Com estas palavras, o Papa começou o seu breve discurso, reiterando que o Batismo e a Eucaristia devem se traduzir em atitudes, gestos e escolhas no nosso cotidiano.

O Papa continuou dizendo que a graça contida nos Sacramentos pascais é uma força enorme para a existência, as famílias e os relacionamentos sociais, e é por isso que se deve deixar tocar por ela. Se cada um permitir, ela pode mudar “aquele nosso lado mau, que pode machucar a mim e aos outros”, destacou o Pontifice.

“Sem a graça, nada podemos, mas com ela, podemos nos tornar um instrumento da misericórdia de Deus”.

Terminando, Francisco reafirmou a importância de expressar na vida os sacramentos que recebemos: Batismo e Eucaristia. E pediu a intercessão de Maria para que “o Mistério Pascal aja profundamente em nós a fim de que o ódio deixe lugar ao amor, a mentira à verdade, a vingança ao perdão, e a tristeza à alegria”.

Fonte:http://www.cursilho.org.br/noticias.php?item=2380#indicar

sexta-feira, 29 de março de 2013

Pe.Leo Alô meu Deus?(Emocionante)Canção Nova


A dor, mistério do amor - Derramou seu sangue para nos salvar




A dor, mistério do amor - Derramou seu sangue para nos salvar

Espacojames: Linto dartigo, um pouco longo mas vale apenas ler para entedermos o tamanho infinito do amor de Jesus pela humanidade.

Salve Jesus Cristo!

      Era o Templo restaurado por Herodes. Embora “feito de belas pedras e recamado de ricos donativos” (Lc 21, 5), bem longe estava de possuir o esplendor e a magnificência do anterior, erigido segundo a capacidade e a sabedoria de Salomão.
      Naquele dia, um casal, levando o mais belo de todos os meninos, atravessou os umbrais do recinto sagrado, com o intuito de cumprir as prescrições da Lei a respeito dos primogênitos. Na aparência, aquela cena nada tinha de extraordinário: com muita frequência as famílias israelitas, vindas das mais variadas cidades, chegavam a Jerusalém, trazendo seus filhos para apresenta-los ao Senhor e oferecer o sacrifício prescrito pela Lei: um par de rolas ou dois pombinhos (cf. Lc 2-24). Quase sempre as mães preferiam associar esta cerimônia àquela da sua própria purificação, à qual estavam obrigadas pelas rígidas normas do Levítico.
      Entretanto, nessa ocasião, o ritual da apresentação revestia-se de dimensões verdadeiramente divinas e fora previsto com séculos de antecedência pelo profeta Ageu: “Encherei de minha glória este templo – diz o Senhor do universo. A prata e o ouro me pertencem – oráculo do Senhor do universo. O esplendor futuro deste templo será maior que o primeiro – oráculo do Senhor do universo. Neste lugar Eu darei a paz – diz o Senhor do universo” (Ag 2, 7b-10). E por Malaquias: “Logo chegará a seu templo o Dominador, que vós procurais, e o Anjo da Aliança, que vós desejais” (Ml 3, 1b).
      Com efeito, aquela arrebatadora criança, conduzida nos braços de sua Mãe para submeter-Se humildemente aos preceitos da Lei mosaica, era o próprio Dominador, o Filho Unigênito de Deus, nascido sob o domínio da Lei, para resgatar os que se encontravam sob o domínio da Lei (cf. Gl 4, 5).
      Dia de gáudio e de glória aquele em que, por fim, as profecias atingiam sua realização e o Divino Menino começava a ser reconhecido pelos que “em Jerusalém esperavam a redenção” (Lc 2, 38).

“Uma espada transpassará a Tua alma”

      Entrando no templo, Maria e José depararam-se com um ancião de venerável aspecto, que para lá se dirigira, cheio de esperança, sob a inspiração do Espírito Santo (cf. Lc 2, 27). Ao ver o Menino Jesus, Simeão, que poderia ser denominado o varão-esperança, logo começou a bendizer a Deus e a profetizar a respeito dEle, deixando admirados Seu pai e Sua mãe (cf. Lc 2, 33). Também Ana, a profetisa, que se encontrava no Templo, pôs-se a falar sobre Ele, tornando-se uma das primeiras anunciadoras da missão redentora de Jesus. Maria e José ouviam todas essas palavras, e Seus corações enchiam-se de gozo ao constatarem que o inefável mistério do qual ambos eram depositários, Deus Se dignara comunicá-lo também a outras almas, manifestando-lhes a presença de Cristo no mundo.
      Simeão tomou o Menino nos braços e, após ter sido pago o imposto, entregou-O à Sua Mãe, dizendo-Lhe: “Uma espada transpassará a Tua alma” (Lc 2, 35).
      Que contraste impressionante! Ali estava o casal princes, duas criaturas escolhidas por Deus para servir de arquetipia à humanidade: Maria e José. Nesses momentos de consolação, nos quais a Luz descida do Céu para revelar-Se às nações começava a deitar seus primeiros raios, abria-se já, de maneira oficial, a “via dolorosa” que o Senhor apontava à Sua Santa Mãe. A alegria de Maria – de possuir um Filho que é Deus e de pertencer a um Deus que é Seu Filho – naquele instante transformou-se em tristeza. Auge de alegria e auge de tristeza conjugaram-se no coração da Virgem: quanta perplexidade nessa ocasião em que tudo deveria falar de júbilo e, entretanto… “uma espada transpassará a Tua alma”!

   Pelo pecado, o sofrimento tornou-se inerente à condição humana

     Por que quis Deus unir a dor à alegria num verdadeiro paradoxo, inevitável na vida humana? Todos nós, pelas inclinações da natureza, sempre propensa a buscar a felicidade e a fugir de qualquer sofrimento, somos incapazes de compreender essa maravilha, se não for por um especial auxílio da graça. Fora da filosofia cristã iluminada pela fé, o problema da dor tem sido sempre algo difícil de resolver. Enquanto alguns a concebem como um mal a ser evitado a todo custo, outros, passando ao extremo oposto, consideram-na imprescindível e chegam a fazer dela um prazer malsão e amargo, única saída para sua falta de esperança.
     A Igreja, ao contrário, sempre tratou desse assunto de forma equilibrada. Em virtude do pecado original, o sofrimento tornou-se inerente à condição humana, e o homem deve utilizar-se dele para o serviço de Deus, transformando-o numa fonte de méritos e até de glória.
     A respeito do modo de como os homens, tanto os bons quanto os maus, suportam as tribulações, assim escreve Santo Agostinho: “Embora justos e pecadores sofram um mesmo tormento, o resultado não é o mesmo. O mesmo fogo faz resplendecer o ouro, purificando-o, e a palha lançar fumaça; o mesmo trilho serve para limpar os grãos e quebrar as arestas… Assim também, uma mesma adversidade purifica e aperfeiçoa os bons, e destrói e aniquila os maus. Por conseguinte, numa mesma calamidade, os pecadores se revoltam e blasfemam contra Deus, enquanto os justos O glorificam e pedem misericórdia; a grande diferença de sentimentos não está na qualidade do mal que uns e outros padecem, mas na das pessoas que o sofrem. Sacudidos de um mesmo modo, o lodo exala um mau cheiro insuportável, e o bálsamo precioso um suavíssimo odor”.

   Cristo quis assumir a nossa carne em estado padecente

     Para conhecermos a fundo todo o valor que se desprende da dor quando santamente aceita, bastanos observar que esta foi a via escolhida pela Providência para o próprio Homem-Deus e Sua Mãe Santíssima. Ao nos aproximarmos de um altar em qualquer igreja da terra, sempre o encontraremos presidido por um Crucifixo; e, aos pés dessa Cruz, indissociável do Filho, imaginamos uma Mãe que chora: Stabat Mater dolorosa, juxta crucem lacrimosa…



      Reza a teologia que, para resgatar o gênero humano, teria bastado Nosso Senhor Jesus Cristo oferecer a Deus Pai um simples gesto, uma curta palavra, ou até mesmo um piscar de olhos, por serem de valor infinito todos os Seus atos. 2 Portanto, uma única gota de sangue derramada durante a Circuncisão seria suficiente para consumar a obra da Redenção. 
      Entretanto, decretou o Padre Eterno que Ele sofresse a Paixão e Morte de Cruz, pois não poderia permitir que a Seu Verbo – “efusão da luz eterna, espelho sem mancha da atividade de Deus, imagem de Sua bondade” (Sb 7, 26) – fosse negada uma glória em plenitude e esplendor. Foi por ilimitado amor ao Seu Unigênito que Deus permitiu as ignomínias da Flagelação, as humilhações do Ecce Homo, a exaustão da Via-Sacra e os tormentos da Crucifixão. O Filho, que por Sua natureza divina não era capaz de sofrer, quis assumir nossa carne em estado padecente, e não em corpo glorioso, como correspondia à Sua alma, a qual se encontrava na visão beatífica desde o primeiro instante da Encarnação.
      Agindo desse modo, Deus não visou apenas operar a Redenção da forma mais esplêndida, mas quis propor aos homens de todos os tempos o Modelo perfeito a ser seguido. Assim se expressa a respeito deste tema o piedoso Pe. André Hamon: “Quando Deus, em Seus eternos decretos, decidiu a Encarnação do Verbo, propôs-Se apresentar aos olhos dos homens o modelo da vida nova que deveria salvá-los. Como homem, o Verbo Encarnado lhes mostraria o caminho; como Deus, lhes daria a garantia da perfeição do modelo. Suas virtudes seriam imitáveis, pois seriam a ação de um homem; e uma regra segura, já que seriam a ação de um Deus”.

O mistério profundíssimo da Cruz

      Ora, ao contemplarmos o Homem-Deus, deparamo-nos com esse profundo mistério: Ele, o Onipotente, o Senhor da Glória, a quem os Anjos adoram sem cessar, “fez-Se em tudo semelhante a nós, exceto no pecado” (Hb 4, 15), e sofreu as contingências da condição humana como fome, sede, sono, e fadiga. Para a mentalidade do homem moderno – pervadida pela ideia de um triunfalismo mal compreendido, da qual desapareceu quase completamente o verdadeiro sentido da dor -, a figura de Nosso Senhor Jesus Cristo cravado na Cruz, clamando ao Pai a magnitude de Seu abandono, aparece como a de um fracassado. “Em verdade, Ele tomou sobre Si nossas enfermidades, e carregou os nossos sofrimentos: e nós O reputávamos como um castigado, ferido por Deus e humilhado” (Is 53, 4).

      Entretanto, devemos procurar discernir a sublime lição contida no Sacrifício do Calvário, cuja renovação incruenta se opera diariamente em todos os altares do mundo. Em seu poema O Triunfo da Cruz, assim canta São Luís Maria Grignion de Montfort: “É a Cruz, sobre a terra mistério profundíssimo, que não se conhece sem muitas luzes. Para compreendê-lo é necessário um espírito elevado. Entretanto, é preciso entendê-lo para que nos possamos salvar. [...] A Cruz é necessária. É preciso sofrer sempre: ou subir ao Calvário ou perecer eternamente. E Santo Agostinho exclama que somos réprobos se Deus não nos castiga e nos prova”.5

Deus quis submeter o homem à prova

      A vida no Paraíso Terrestre era isenta de qualquer incômodo. O homem estava mergulhado na felicidade: os vegetais se encontravam à sua disposição, os animais o serviam, não havia doenças nem cansaço, e, por um especial favor do Criador, a ameaça da morte não o atingia. Também sua alma vivia em paz, pois, graças ao dom da integridade, a carne e o espírito não entravam em conflito, e todas as paixões se ordenavam à luz da Fé.
      Não obstante, em meio àquela agradável existência cheia de delícias, Deus quis que houvesse uma prova e, em consequência, uma pequena dor: “Não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque no dia em que dele comeres, morrerás indubitavelmente” (Gn 2, 17).
      Era conveniente que Deus, seriedade infinita, exigisse do homem um tributo de sua submissão, por meio do qual este demonstrasse a autenticidade dos louvores e das honras que prestava a seu Criador. A aceitação desta prova era uma renúncia magnífica e uma homenagem ímpar, que partia da humanidade logo em seu nascedouro e se elevava até o trono de Deus.

O pecado e suas consequências

      Ora, Adão e Eva sucumbiram à tentação. Talvez lhes tenha sobrevindo a ideia, não explícita, de que não deveria existir a mais leve dor na ordem da criação, e perante a prova que Deus lhes impunha tomaram uma atitude de revolta interior, induzidos a roubar a própria honra de Deus.
      Os nossos primeiros pais pecaram. E a queda trouxe o castigo, em sentença proferida pelo próprio Deus: “Multiplicarei teus sofrimentos [...] maldita seja a terra por tua causa. Tirarás dela com trabalhos penosos o teu sustento todos os dias de tua vida” (Gn 3, 16-17).
      O pecado produziu uma revolução nessa harmonia interior e exterior na qual antes viviam: o homem encontrou-se de repente cercado de mil perigos da natureza, os animais se lhe tornaram hostis, a terra produziu espinhos e abrolhos, e ele viu-se obrigado a comer o pão com o suor de seu rosto (cf. Gn 3, 18-19). Sua alma tornou-se vítima das más inclinações, sujeita ao erro e à rebeldia dos instintos contra os ditames da razão. E a História passou a registrar a peregrinação árdua e dolorosa de uma humanidade em guerra constante contra si mesma, conforme diz o Livro de Jó: “A vida do homem sobre a terra é uma luta” (Jó 7, 1).
      A culpa de nossos primeiros pais que atraiu sobre eles, e sobre sua posteridade, a maldição e a perda da amizade de Deus, reparável somente por meio do Batismo e da graça. Mas atingiu também a ordem do universo, da qual Adão fora feito rei: “Deste-lhe poder sobre as obras de Vossas mãos, Vós lhe submetestes todo o universo” (Sl 8, 7).
     Afirma São Paulo: “A criação foi sujeita à vaidade (não voluntariamente, mas por vontade daquele que a sujeitou), todavia com a esperança de ser também ela libertada do cativeiro da corrupção, para participar da gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Pois sabemos que toda a criação geme e sofre como que dores de parto até o presente dia” (Rm 8, 20-22).





Um Deus abraçado à Cruz

     Apesar de ter maculado a Criação, o pecado não conseguiu frustrar os planos de Deus, como era intuito do demônio. Pelo contrário, determinou Ele, em Seus insondáveis desígnios de misericórdia, estabelecer uma ordem do universo ainda mais bela e esplendorosa, nascida da Encarnação e do sacrifício de seu Filho Unigênito.
      Na harmonia dessa nova ordem, haveria de ser preponderante o papel da dor. Tendo sido mal correspondida a prova no Paraíso, a vida da graça, trazida pela Redenção, não poderia conceber-se sem sofrimento, de modo que os “degredados filhos de Eva” reparassem a falta de seus pais.
      Era preciso que os homens adorassem um Deus abraçado à Cruz, o Vir dolorum previsto por Isaías, cravado sobre o madeiro do opróbrio e da ignomínia, e tivessem diante do Homem-Deus moribundo todas as ternuras e venerações de que o coração humano é capaz.





      Ele desceu a esta terra de exílio, atravessando as brumas do pecado sem Se deixar tocar por ele, e, tomando sobre Si as nossas fraquezas, com elas subiu ao Gólgota para ali consumar Seu holocausto e restituir aos homens a paz e a felicidade que haviam perdido.
      É bem verdade que, ao longo dos três anos de vida pública, teve Ele um período brilhante aos olhos do mundo, durante o qual as multidões iam à sua procura, sôfregas de ouvir Seus ensinamentos e beneficiar-se de Seus milagres. Quando de Sua entrada solene em Jerusalém, a multidão cantava “hosana ao Filho de Davi” (Mt 21, 9). Houve, inclusive, aqueles que quiseram proclamá-Lo rei (cf. Jo 6, 15). Mas, em meio a todos os êxitos, a pior das dores incrustava-se em Seu Coração, delineando Sua missão de Servo Sofredor e deitando uma sombra sobre o futuro que O esperava: era a brutal falta de correspondência daqueles que mais O deveriam reconhecer. “Veio para o que era Seu, mas os Seus não O receberam” (Jo 1, 11).





      Se, em Sua trajetória terrena, Nosso Senhor tivesse recebido sempre todas as glorificações do Tabor e do Domingo de Ramos, algo da Sua benquerença pelos homens e da Sua disposição de entregar a vida por eles teria deixado de refulgir aos nossos olhos, e não compreenderíamos suficientemente o mistério de amor que se discerne na Cruz e no Santo Sepulcro. “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” (Jo 15, 13).

Somos chamados a colaborar na obra da Redenção




      Ora, movido por Seu ilimitado amor aos homens, Jesus quis também a participação deles na Sua dor. Ele não necessita de concurso humano algum para redimir-nos, uma vez que o Preciosíssimo Sangue derramado na Paixão bastaria para apagar os pecados de infinitas criaturas, mas deseja associar-nos a Seus sofrimentos e assim fazer-nos partícipes de Seus méritos e de Sua glória. É este o simbolismo da água que o sacerdote mistura ao vinho, na preparação do cálice para o Santo Sacrifício. Nossas dores, de si, valem menos até do que umas poucas gotas de água, pois, o mais das vezes, estão contaminadas por imperfeições e misérias; mas unidas ao “vinho que engendra virgens”, podem aquelas tornar-se uma “mesma e única bebida de salvação”.6
      São Paulo mostrou ter penetrado a fundo nesse mistério, quando escreveu em sua epístola aos Colossenses: ” Agora me alegro nos sofrimentos suportados por vós. O que falta às tribulações de Cristo, completo na minha carne, por Seu corpo que é a Igreja” (Cl 1, 24).
      Esta passagem é assim comentada por Tanquerey: “Certamente, esta Paixão é, não somente completa, mas abundante e superabundante. No entanto, como Jesus é a cabeça de um corpo místico, do qual todos nós somos os membros, a Paixão deste Cristo místico se completa cada dia em seus membros sofredores, e ela não estará terminada senão quando o último dos eleitos tiver sofrido sua parte das dores de Cristo. [...] Então a dor terá um sentido, então seremos verdadeiramente os colaboradores do Divino Salvador na obra da salvação das almas”.

Crisol onde Deus lança as almas muito amadas

      Levando isto em consideração, o papel da dor na vida humana adquire uma perspectiva tão elevada que torna inteiramente fora de propósito qualquer queixa ou inconformidade de nossa parte em relação às cruzes que Deus tenha por bem nos enviar.
      Na aceitação inteira da vontade divina encontramos o melhor meio de restituir ao Criador a glória que Lhe foi negada pela primitiva desobediência, manifestando-Lhe, por um ato de conformidade com Seus desígnios, nosso tributo de amor e de reparação à Sua Majestade ofendida.
      Ao mesmo tempo, se encetarmos as veredas da dor com ânimo resoluto, é-nos oferecida a ocasião de alcançar preciosos benefícios para o progresso de nossa vida sobrenatural. Dada a tendência natural do homem para o egoísmo, facilmente ele se esquece de Deus quando a felicidade e o sucesso parecem seguir seus empreendimentos. A adversidade é, pois, um poderoso auxílio para purificar a alma do apego excessivo às criaturas, obrigando-a a considerar a inanidade dos bens passageiros e voltar-se só para Deus, único Bem do qual tudo se pode esperar.
      Tais disposições perante o sofrimento conferem um caráter respeitável àquele sobre o qual este se abate, tornando-o digno de admiração.
      Nos dias de hoje, o sentido cristão da palavra “admirável” vai-se perdendo, dando lugar a conceitos deturpados, segundo os quais o homem, para alcançar a plena realização de sua personalidade, deve ser bem sucedido na vida, correr de vitória em vitória, sem jamais ser incomodado por qualquer revés ou dificuldade; só assim se tornará merecedor do aplauso e da aceitação dos demais. A experiência histórica, porém, nos revela o contrário: os homens sofredores, que ao longo de sua existência tiveram de enfrentar perigos, angústias, incompreensões e até mesmo aparentes catástrofes, mas, fortalecidos pela graça divina, acabaram vencendo, esses sim são verdadeiramente dignos da aprovação dos demais homens e do beneplácito de Deus.
      A dor é, pois, o crisol onde a Providência lança as almas muito amadas, sobre as quais repousa uma especial predileção de Sua parte, para delas recolher apenas a prata finíssima, livre de qualquer impureza. O Livro do Eclesiástico deita uma luz sobre essa atraente temática: “Meu filho, se entrares para o serviço de Deus, permanece firme na justiça e no temor, e prepara a tua alma para a provação; humilha teu coração, espera com paciência, dá ouvidos e acolhe as palavras de sabedoria; não te perturbes no tempo da infelicidade, sofre as demoras de Deus; dedica-te a Deus, espera com paciência, a fim de que no derradeiro momento tua vida se enriqueça. Aceita tudo o que te acontecer. Na dor, permanece firme; na humilhação, tem paciência. Pois é pelo fogo que se experimentam o ouro e a prata, e os homens agradáveis a Deus, pelo cadinho da humilhação” (Eclo 2, 1-5).

Duas atitudes perante a tragédia

      Recebida com resignação, ou com sobrenatural entusiasmo, a dor enaltece o homem e o convida a uma doação generosa de si mesmo, da qual, na prosperidade, talvez ele não se julgasse capaz. Assim, pode haver circunstâncias infelizes que, de modo inesperado, reduzam à derrota alguém anteriormente coroado de êxito. Colocado diante de sua própria tragédia, ele poderá chorar, lamentando seu fracasso, e afundar-se no abatimento e na revolta contra Deus; ou então ele se erguerá com uma grandeza de alma triunfal, compreendendo a beleza de seu infortúnio, já que este o aproxima mais da Divina Vítima do Calvário.
      Em palavras dirigidas aos peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, assim se exprimia o hoje Papa Emérito Bento XVI: “Jesus sofre e morre na Cruz por amor. Deste modo, considerando bem, deu sentido ao nosso sofrimento, um sentido que muitos homens e mulheres de todas as épocas compreenderam e fizeram seu, experimentando uma profunda serenidade também na amargura de árduas provas físicas e morais”.8



      No instante em que o homem se abraça à Cruz e a toma como um presente da munificência divina, manifesta-se todo o poder sublime e ao mesmo tempo misterioso do holocausto. Sua dor torna-se fecunda e profícua, mais eficaz na ordem da Comunhão dos Santos e na realização dos desígnios de Deus do que seus esforços naturais ou suas demais obras apostólicas. Oferecido o sacrifício, algo na alma germina, nasce e gera frutos, elevando-se diante de Deus como oblação grata e imaculada, e dando ao homem uma alegria e uma paz interior que todas as riquezas e glórias do mundo jamais poderão proporcionar-lhe.
      Nos dias cheios dos imponderáveis sérios e graves da Semana Santa, acheguemo-nos aos pés da Cruz onde pende o Salvador, abandonado por quase todos – sobretudo neste século em que tantos e tantos homens só procuram o prazer e bem-estar pessoal – e coloquemos nas mãos da Mater Dolorosa, cuja alma foi transpassada pelo gládio da dor, toda a nossa entrega e disposição de padecer por Cristo e por Sua Igreja. As lágrimas de Maria purificarão nossa oferta das eventuais misérias das quais possa estar manchada e a tornarão útil para a edificação de Seu Reino e o triunfo de Seu Imaculado Coração.

Irmã Clara Isabel Morazzani Arráiz, EP


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1 AGOSTINHO, Santo. A Cidade de Deus. l. 1, c. 8.
2 Cf. ROYO MARÍN, OP, Fr. Antonio. Jesucristo y la vida cristiana. Madrid: BAC, 1961, p. 324.
3 Cf. DENZINGER, H.. HÜNEMANN, P. Compêndio dos símbolos, definições e declarações de fé e moral. São Paulo: Loyola; Paulinas, 2007, p. 328, n. 1.025.
4 HAMON, M. André-Jean-Marie. Méditations. Paris: Lecoffre, 1933, v I, p. 55-56.
5 MONTFORT, São Luís Maria de. Carta-circular aos amigos da Cruz. Cântico “O Triunfo da Cruz”. Trad. Maria Helena Montezuma Pohle. Rio de Janeiro: Santa Maria, 1954, p. 67-68.
6 Cf. CANTALAMESSA, OFMCap, Raniero. Obediencia. Trad. Ricardo M. Lázaro Barceló. 3. ed. Valencia: Edicep, 2002, p. 71. TANQUEREY, Adolphe. La divinisation de la souffrance. Paris-Tournai-Rome: Desclée de Brouwer, 1931, p. IX-X. Ângelus, 01/02/2009.
7 TANQUEREY, Adolphe. La divinisation de la souffrance. Paris-Tournai- Rome: Desclée de Brouwer, 1931, p. IX-X.
8 Ângelus, 01/02/2009. 


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quinta-feira, 7 de março de 2013

Por que sou Católico?


Carta Padre Beraldo do mês de março de 2013


CARTA MCC BRASIL - MAR 2013 (163ª.)
“Dar-vos-ei pastores de acordo com o meu projeto.
Eles governarão com clarividência e sabedoria” (Jr 3,15).

      Meus amados e irmãos e irmãs, caminheiros “quaresmais” neste singular momento de uma nova Páscoa com a vinda de um novo Pastor para o Povo de Deus:
      1. A Igreja Católica na sua caminhada quaresmal de 2013. Passado o impacto inicial provocado pela renúncia do Papa Bento XVI ao Pontificado, a Igreja Católica - nós, portanto - passamos a viver, numa providencial coincidência, um tempo quaresmal de “oração, jejum e esmola” alimentados pela esperança de uma “Nova Páscoa”. Não quero fazer aqui qualquer referência ao que presumem, dizem, afirmam, negam, ousam e, até, inventam com uma espécie de quase sádica curiosidade, todos – e são, agora, dezenas e, até, centenas - os que se intitulam ou são intitulados de “vaticanólogos”, “vaticanistas”, ou “entendidos” em Espírito Santo, ou peritos em profecias sobre o futuro da Igreja Católica, mesmo que há anos-luz distantes dela, da fé por ela anunciada e praticada e, até, de sua história milenar, etc...!
Quero tão somente, agradecendo ao Pai que dá à igreja tais Pastores, respeitar e louvar a grandeza e a fantástica repercussão da humildade e do reconhecimento das próprias limitações de quem, até ontem, diante de multidões que o aclamavam, era carregado nos ombros e o chamavam de “Sua Santidade o Papa” e, não mais que de repente, volta ser o alemão Joseph Ratzinger! Simples assim! Quero, admirando o inesperado gesto de renúncia e desapego de um sábio e pastor – e espero que assim o façam também meus leitores e leitoras animados pela mesma fé – quero viver este momento singular na história eclesial como aquele momento “Kairós”, o momento oportuno para a ação do Espírito Santo: “É agora o momento favorável, é agora o dia da salvação” (2Cor 6,1-2). “Salvação” no seu sentido de intervenção do mesmo Espírito na vida da Igreja. Santa e providencial coincidência, pois este momento do ano de 2013 será o coroamento da caminhada quaresmal da Igreja-Povo de Deus com a celebração pascal da escolha de um novo Papa por elementos humanos e do envio ao seu povo de um novo Pastor pelo Pastor dos pastores, Jesus de Nazaré! 
Pergunta: meu caro irmão, minha irmã, por acaso, nestes momentos de certa indecisão na vida da Igreja, ainda ressoa nos seus ouvidos aquela palavra profética solenemente pronunciada por Jesus que, ao ouvir a corajosa declaração de Pedro: “Tu es o Messias, o Filho de Deus vivo” lhe responde diante dos outros discípulos: “Por isso eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la”? (Mt 16,18). Ou, no seu coração e na sua mente têm mais lugar boatos, insinuações, especulações ou interpretações de conteúdo eivado de malícia e, até, de ódio contra sua Igreja?
     2. O Povo de Deus caminha na história “rumo ao Reino definitivo”. Viveu o profeta Jeremias num clima de grande turbulência entre o povo hebreu e é no contexto da volta de um cativeiro (provavelmente por volta dos anos 600 a.C.) que ele prevê a generosidade de Javé ao prometer a seu povo “pastores de acordo com meu projeto”. Penso que as palavras com que o Beato João Paulo II inicia sua Exortação Apostólica Pós-Sinodal “Pastores Dabo Vobis” merecem, agora, uma oportuna reflexão: “Dar-vos-ei pastores segundo o Meu coração” (Jer 3, 15). Com estas palavras do profeta Jeremias, Deus promete ao seu povo que jamais o deixará privado de pastores que o reúnam e guiem: “Eu estabelecerei para elas (as minhas ovelhas) pastores, que as apascentarão, de sorte que não mais deverão temer ou amedrontar-se” (Jer 23, 4). A Igreja, Povo de Deus, experimenta continuamente a realização deste anúncio profético e, na alegria, continua a dar graças ao Senhor. Ela sabe que o próprio Jesus Cristo é o cumprimento vivo, supremo e definitivo da promessa de Deus: “Eu sou o Bom Pastor” (Jo 10, 11). Ele, “o grande Pastor das ovelhas” (Heb 13, 20), confiou aos apóstolos e aos seus sucessores o ministério de apascentar o rebanho de Deus (cf. Jo 21,15-17; 1 Ped 5,2)”. Repito, portanto, que julgo ser este um momento quaresmal único e privilegiado na história peregrinante do novo Povo de Deus.
      3. Da peregrinação da Quaresma à Páscoa perene. Páscoa na história da salvação, Páscoa na Igreja-mistério, Páscoa na Igreja-comunhão, Páscoa na Igreja-missão. É a “passagem” pelas águas da libertação da escravidão egípcia para a “terra onde corre leite e mel” (cf.Ex 3,8); é a passagem da rigidez dos preceitos da Lei – Torá – para a ternura da misericórdia e da compaixão; é a passagem do “Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo” para o “Amai os vossos inimigos e rezai por aqueles que vos perseguem! (Mt 5, 43-44); é a passagem de um breve tempo quando “a grande multidão...eram como ovelhas sem pastor” (cf. Mc 6,34) para um novo tempo quando “ao sair do barco, Jesus viu um grande multidão e encheu-se de compaixão”, primeiro “ensinando-lhes muitas coisas” e, logo em seguida, “tomando os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao céu, pronunciou a benção, partiu ao pães e ia dado aos discípulos para que os distribuíssem” (cf.Mc 6, 34-42). Nossa Páscoa perene, pois, está na celebração de uma passagem que nos levará à Vida e à Ressurreição. Passagem, aliás, que, de certo modo, depende de nossa disponibilidade em ser uma “massa nova lançando fora o fermento velho”. Neste contexto, ouçamos São Paulo na Primeira Carta aos Coríntios: “Pois o nosso cordeiro pascal, Cristo, já está imolado. Assim, celebremos a festa, não com um fermento velho, nem com fermento de maldade ou de perversidade, mas com os pães ázimos de pureza e de verdade” (1Cor 6, 7b-8).
      Ao desejar a todos uma perseverante caminhada quaresmal, desejo, sobretudo, que ela nos encontre a todos tão conscientes da festa pascal que, na santa noite da Vigília, ao receber o Círio aceso com aquele “fogo novo”, possamos cantar, com o diácono que anuncia o EXULTET, o júbilo da Páscoa: “Pois eis agora a Páscoa, nossa festa, em que o real Cordeiro se imolou: marcando nossas portas, nossas almas, com seu divino Sangue nos salvou”! 

Pe. José Gilberto BERALDO


 Nota.  Já é do conhecimento geral que, desde o dia 10 de janeiro pp., o MCC do Brasil tem uma nova Coordenação Nacional, eleita na última Assembleia realizada durante o Congresso Nacional, no final do mês de novembro de 2012. Entre outras iniciativas, tomou a citada NA a de conferir-me o título de Assessor Eclesiástico Nacional Vitalício Benemérito do MCC do Brasil. Cabe-me, portanto, manifestar, mais uma vez, minha gratidão comovida a todos os irmãos e irmãs que, com tal gesto generoso, manifestaram sua confiança em quem, por mais de 35 anos, serviu à Igreja do Brasil no Movimento de Cursilhos. Por outro lado, de minha parte, procurarei corresponder a essa confiança na medida de minhas limitações. Incumbido pelo nosso atual Assessor Eclesiástico Nacional, Pe.Xico, continuarei, até que o Senhor se dignar dar-me forças e discernimento pastoral, escrevendo as Carta Mensais e dedicando parte do meu tempo para redigir a história do MCC no Brasil, completando o que já expus no Congresso Nacional com o tema “Achegas históricas do MCC do Brasil.